terça-feira, novembro 22, 2005

Cenas banais cotidianas

Mulheres empolgadas reviram roupas em oferta em loja da Teodoro Sampaio,enquanto um manequim ostenta um bizarro maiô preto e branco e observa a cena.Um cara de turbante passa,uma senhora que pede esmola segura um cartaz e manda uma sonora lição de moral “sejam mais humildes ,moças”.
Duas ruas abaixo o mesmo cara de turbante olha CD´s piratas na barraquinha da calçada da rua dos Pinheiros. Minha amiga diz que já o viu antes e pára na calçada oposta para olhar o cara que olha os CD´s piratas. E solta um bom argumento, quando digo que o cara vai se incomodar .”Com certeza ele não vai nem perceber. Se alguém parar na esquina do outro lado da rua e ficar seguindo seus passos com o olhar, você também não irá notar. Cenas como as do filme “Closer” não acontecem na vida real”. Sou obrigada a concordar.
Uma lotérica na esquina se faz passar por aquelas legalizadas quando na verdade só fazem jogo do bicho e dispõem de máquina caça níquel. Pessoas do outro lado da cidade vendem “tóxico” e tiram 4.000 mil por dia.Outros divertem-se evitando pisar nas listras do piso das calçadas como fazia o personagem de Jack Nicholson, em "Melhor é impossível".
Enquanto um santo,devidamente, acomodado numa árvore acompanhado de folhinhas de oração,de um menino Jesus e de flores de tecido observa os transeuntes,impassível.E eu sinto sono - apesar do desagrado de saber que não receberei meu salário em dia -após o almoço e de ter visto e ouvido um pouco de toda essa comédia cotidiana.