Juro que tento escrever todo dia - essa e uma promessa que me faço desde a faculdade - mas quem falou que consigo? Antes era por pura falta de organização, dedicação e indecisão sobre o que fazer da vida- pasmem isso envolvia até o que eu fazia descompromissadamente.Agora tem a ver com uma real, real mesmo, falta de tempo. Meu tempo livre se resume a nenhum. Estou sempre em casa mas também sempre envolvida com atividades do Otto, já que não tenho quem divida essas responsas comigo durante o dia. Levanto muito cedo o que não resolve muita coisa porque ele também acorda super cedo. Ou seja, se ele resolver acordar junto comigo nada de post...a noite, as vezes rola um monopólio do computador e estou envolvida em minhas necessidades básicas: comer, tomar, banho e dormir... Quase sempre certinho assim. E eu que nunca gostei de sequências certinhas, daquelas que se a gente filmar e assistir depois pensa que o dia nem mudou. Irônico, não?
Agora estou ignorando o que tenho para fazer, coloquei o moleque no andador e estou aqui explicando coisas para mim mesma, já que ninguém lê este blog, porque não divulguei e nem sei se vou mantê-lo como está...com a mesma cara e o mesmo nome. A proposta dele é a mesma de antes: falar do meu umbigo, fazer reflexões, arriscar umas crônicas e as vezes falar de coisas de que gosto muito. Mas tenho vontade de fazer umas mudanças...
Time's up! Tenho ir depois volto.
Voltei.
Por falar sobre rotina e sequências certinhas lembro-me bem de um comentário que fiz perto de um amigo ha mais de um ano atras. Eu - na época, estava voltando a dormir pelo menos 5 horas seguidas a noite, mas mal conseguia ir ao banheiro com tranquilidade porque o Otto era recém nascido, quase não dormia de dia como ainda nao dorme até hoje, e queria mamar toda hora- disse em tom de brincadeira Quero minha vida devolta e ele meio entre confuso e indignado perguntou E o Otto?
O que não consegui explicar naquele momento e talvez nem consiga mais voltar a este a assunto é que a idéia não era voltar no tempo e não ter o bebe, é que a vida muda radicalmente quando uma criança nasce. Ao contrario do que eu pensava a gente não se torna mae quando engravida e sim quando a criança nasce e temos de cuidar dela e nos doar 100% sem pestanejar. E isso leva tempo, as vezes bastante tempo para se assimilar.
A vida nunca mais volta a ser como a gente conhecia - parafraseando Bill Murray em Lost in translation. Não é possível sair quando e para onde se quer e voltar na hora que acharmos melhor. E mais, a vida do casal muda, mas a da mulher muda muito mais. Vida social vai para o espaço, restringe-se a certos programas que acabam sendo os mesmos, os amigos sem filhos se afastam - isso da um post - e o tempo para si... tempo? - esse assunto é recorrente porque ele sintetiza meu cotidiano. Quando comento essas coisas sempre penso em mulheres com gêmeos ou aquelas com filhos de idades muito próximas.
Esses dias assisti Eu, bebe um programa que rolou no GNT e la tinha o caso de uma mãe com um filho de dez meses e grávida de seis, uau! Essa não terá tempo nenhum para si tao cedo. Eu ficaria louca, com certeza. Um filho já me deixa amalucada.
Uma amiga outro dia disse que queria trigêmeos. O meu comentário quando nascer seu primeiro você me conta se continua querendo trigêmeos.
Mas se me perguntarem se eu pudesse voltar no tempo se eu mudaria o fato de ter engravidado, serei categorica:nunca! Mesmo tendo engravidado sem planejar, mesmo passando uns perrengues e tendo feito escolhas que acreditei que podiam dar certo - mesmo sentindo que não dariam, por que raios a gente ignora a intuição? Finalmente, preciso reconhecer que a maternidade tem a ver com padecer no paraíso*. E muito trabalho, muita privação, muitas mudanças radicais em compensação tem as risadas, o aprendizado nosso e do bebe, a descoberta de um amor sem igual, a delicia do bom dia com sorriso - e sorriso de criança e imbatível- a compreensão que so uma experiência como essa pode nos dar.
*Um dia uma amiga me disse que ser mãe era padecer no paraíso e eu respondi Que sacanagem! E logo ela me respondeu: Melhor padecer no paraíso a padecer no inferno.