Ha dois dias depois de ter sido meio grossinha com o Daniel ao telefone, parei, refleti e percebi que ando de mau humor e na defensiva quase o tempo todo e isso me deixou mal, e na boa, eu nao sou assim. Os motivos? A minha vontade de trabalhar - de produzir alguma coisa que nao precisa ser so trabalho revertido em grana- de sair, de ver gente e ver o mundo, coisas que foram parar no segundo, terceiro plano da minha escala de prioridades e isso foi de livre espancada vontade. Se eu nao cuidar do meu filho o tempo todo quem vai faze-lo? Desde que ele nasceu eu me dediquei integralmente a ele e minhas outras necessidades ficaram desatendidas, o que tem me deixado incompleta, chateada, melancólica e de mau humor.
Sinto falta de ler um livro, de ir ao cinema, de encontrar com alguns amigos - alguns bem poucos porque depois de eu ter me tornado mae os que estavam ja distantes simplesmente sumiram- sair com o Daniel sozinha.
Nao estou reclamando de ser mae, porque isso e maravilhoso, so preciso ver uma forma de voltar a ser uma mulher normal. Se e que isso e possível quando se trata de mim. Ja que sou ansiosa e impaciente por natureza, dois terríveis defeitos.Nao sou perfeita, admito, sempre admiti.
Anteontem, estava tao ansiosa, tao ansiosa que se tivesse tido como me sentar a frente do computador teria escrito coisas possivelmente desconexas - ou nao- porque mentalmente me senti como Jackson Pollock, pintor norte americano, que pintava loucamente como se estivesse num transe e o que aparecia nas suas tela era puramente catartico. Mais malucas do que suas telas era a sua forma de pintar como mostrou o filme Pollock,estrelado por Ed Harris. Se ele pintava realmente daquele jeito quem acompanhava aquilo ficava meio desorientado, eu fiquei quando assisti.
Agora estou mais centrada e a qualquer momento volto. Tenho que atender uma crianca que acabou de acordar, excepcionalmente mais tarde hoje.
*Depois desse post encontrei uma edição de imagens do filme Pollock com o pintor em ação.
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